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Uma terceira via ao Palácio dos Despachos? Por blog do Branco

Úrsula Vidal foi candidata a prefeitura de Belém em 2016
Em meio a polarização que se instaurou entre PMDB e PSDB pelo comando do controle político paraense, desde da derrocada do PT, em 2010, que não se cogitava a possibilidade de outra alternativa fora do cenário de disputa apresentado. As candidaturas que se colocavam não conseguiram atingir mais do que 10% dos votos quando o resultado eleitoral era apurado.

Para o próximo pleito, em 2018, pesquisas apontam que o nome da jornalista Úrsula Vidal (Rede) aparece bem cotado, inclusive em uma das pesquisas divulgadas, em segundo lugar, atrás de Helder Barbalho (PMDB). Vidal sempre foi uma jornalista de respeito, gabaritada, de opinião e conteúdo, sobretudo, crítico. Uma mente privilegiada dentro de uma seara de escassez de neurônios. Características que mantém agora em sua trajetória política.

Por sua atuação crítica no jornalismo, a ida à política parecia algo inevitável, bem ao natural, como de fato ocorreu, quase por aclamação. Primeiro de seus pares, depois geral. Filiou-se primeiramente no PPS, depois migrou para a então recente criada Rede, agremiação partidária formada com a maioria dos dissidentes do Partido Verde.

Seu teste nas urnas aconteceu no ano passado, quando disputou a prefeitura de Belém pela Rede, chegando em 4º lugar, com 79,968 votos (10,29%) dos votos válidos. Votação que surpreendeu, pois, a estrutura dispensada era pequena comparada a algumas do pleito. Úrsula conseguiu na disputa eleitoral sair do reduto acadêmico, mais elitizado, para simpatizar eleitores de outras camadas sociais. As ideias e propostas de Vidal foram bem aceitas, além de sua ótima comunicação e oratória. Seu índice de rejeição é mínimo, em alguns redutos eleitorais chega a zero. Portanto, tem longo caminho de crescimento em pesquisas de opinião.

O desafio de seu grupo político é levar o seu nome aos quatro cantos do Pará e criar condições políticas para que consiga garantir estrutura mínima de campanha. Caso ela não seja candidata ao Palácio dos Despachos (há conversas que indicam candidatura ao Senado ou a Câmara, para manter o coeficiente eleitoral da legenda que busca crescer) terá que pavimentar o seu caminho para mais uma disputa pelo Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura de Belém, em 2020. Ela deixa claro que o seu perfil é muito mais ligado aos cargos majoritários em detrimento aos legislativos. Se concorrer ao governo do Pará, Úrsula poderá ter outra votação surpreendente, abrindo caminho para futuramente torna-se mais competitiva em âmbito estadual em cargo político majoritário.

A questão é saber: existe a curto e médio prazos a possibilidade de outra candidatura ao governo do Pará que esteja fora da bipolaridade PMDB contra PSDB e aliados (haja vista, que o governador Simão Jatene já escolheu um candidato do DEM para sucedê-lo)? Creio que não, pelo menos, para a próxima eleição, em 2018.

O eleitor paraense ficará quanto tempo no meio da disputa entre dois grupos políticos, que a reboque têm dois grandes grupos de comunicação que os mantém no poder? Qual outra liderança política poderá surgir para contrapor a bipolaridade que decide o futuro do Pará e de seus mais de 8,5 milhões de habitantes? O modelo de gestão tucano e sua dinastia que, em 2018, completará duas décadas mantendo os piores índices sociais poderá ter chegado ao fim? E a rejeição a Helder Barbalho aumentou? Saiu dos arredores da Região Metropolitana de Belém? Por enquanto, Úrsula Vidal é apenas uma pretensão ao Palácio dos Despachos, uma “luz” em meio ao autofagismo pelo poder que se instaurou no Pará. Vamos aguardar.

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