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Garimpo ILEGAL. Mercúrio contamina rios, peixes e a população da Amazônia

 

Foto: Imagem reprodução 

Pense na água que você bebe e que usa para tomar banho. Pense também na sua comida, suas frutas, legumes e verduras. Preste atenção ao solo onde você pisa e ao ar que você respira. Agora, imagine tudo isso contaminado por mercúrio, substância tóxica para humanos. Essa é a realidade de todos os indígenas da etnia Munduruku na região do médio Tapajós, no Pará.

Em dezembro de 2020, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre os impactos do mercúrio em áreas protegidas e nos povos da floresta Amazônica revelou que 100% dos indígenas Munduruku estão contaminados pelo mercúrio do garimpo.

A substância é utilizada no garimpo do ouro para facilitar o processo de separação de partículas e é tóxica para a vida humana e para o meio ambiente. Metal pesado altamente tóxico, os danos causados pela contaminação com mercúrio costumam ser graves e permanentes.

Vítimas da atividade garimpeira há mais de 70 anos, os indígenas do território localizado no médio rio Tapajós, entre os municípios paraenses de Itaituba e Trairão, enfrentam uma situação grave de abandono e negligência.

As estatísticas oficiais marginalizam esses dados de contaminação e ignoram todos os problemas causados para as populações desses territórios, afirma Paulo Basta, coordenador da pesquisa.

“O mercúrio passa por uma notificação muito marginal, como intoxicação exógena. Só a gente da Fiocruz, a partir da pesquisa, temos mais de 500 casos de contaminação [de indígenas Munduruku] por mercúrio para notificar, e esses casos não aparecem nas estatísticas oficiais”, explica.


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